Objetivo
Objetivou-se descrever a qualidade do consumo alimentar de crianças a partir da inclusão da alimentação
complementar líquida e semi-sólida, nos primeiros meses de vida, além de determinar as associações entre as
práticas alimentares e as condições socioeconômicas.
Métodos
O grupo inicial constituiu-se por 86 bebês com idades de 0 a 3 meses, selecionados em áreas de abrangência
de três Unidades Básicas de Saúde do Município de Vitória (ES). Realizaram-se sete visitas domiciliares, coletando-
-se dados sobre as características maternas, o padrão de dieta adotado pelas mães e os hábitos de sucção da
criança. Os testes de Qui-quadrado foram aplicados e análises de regressão logística foram realizadas para
mensurar as associações.
Resultados
Aproximadamente 50% iniciaram alimentação complementar por mamadeira até os três meses de vida,
enquanto a alimentação complementar semi-sólida até os seis meses de vida ocorreu em 75% das crianças. Os
modelos de regressão logística mostraram que a ausência de participação paterna na renda familiar configura-
-se como risco para o consumo de feijão (OR=3,9: IC 95%= 1,2-12,6). A renda maior ou igual a dois salários
mínimos torna-se potencialmente fator de proteção para o consumo de frutas (OR=0,4: IC 95% 0,14-1,15).
Conclusão
Os percentuais de consumo alimentar revelaram a predominância de um padrão inadequado à faixa etária de
menores de dois anos. O grau de instrução da mãe e a participação direta do pai na renda da família parecem
influenciar nas escolhas de alguns alimentos, como frutas e feijão. Entretanto, não explicam completamente
as práticas alimentares infantis nos primeiros meses de vida, sinalizando que outras questões mais complexas
podem estar envolvidas.
Termos de indexação: Aleitamento materno. Desmame. Hábitos alimentares.